Depois decontactar o jornalista Luís Marçal, questionei-o sobre o jornalismo hoje e as principais diferenças em relação ao passado. Em seguida poderão ver as perguntas colocadas e as respostas do jornalista da SIC.
- Como vê o jornalismo de hoje?
Apesar de tudo, livre. Livre, porque já não há censura. Apesar de tudo, porque ainda há na nossa sociedade quem (pessoas e instituições) tente sempre ocultar ou deformar a verdade.
- Como jornalista quais as principais diferenças que nota hoje em relação ao passado?
O imediatismo, ou melhor, a Internet. Quando comecei, mesmo na rádio, era preciso esperar pela hora certa para informar. Hoje, um simples minuto é suficiente para globalizar um qualquer acontecimento.
- O que acha que está mal e o que mudaria no que se refere ao jornalismo de hoje?
O sensacionalismo. Por força da escravatura do lucro obrigatório (mais audiências, maiores tiragens) a que estão votadas as empresas de comunicação social, há cada vez mais profissionais (repórteres, editores, coordenadores, directores) a confundir o interesse público com o interesse do público. A confundir o primeiro (interesse público) com o último (interesse do público) dos critérios editoriais. E quando assim acontece, é natural que muitas vezes se inverta aquela que deveria ser a ordem natural das notícias.
- O que acha que um jornalista necessita para ser verdadeiramente um bom jornalista?
Acima de tudo, uma apuradíssima consciência ética e deontológica. A par disso, um domínio muito rigoroso da língua portuguesa falada e escrita. São, pelo menos para mim, as duas características fundamentais para se exercer de forma digna a profissão de jornalista. Convém ainda juntar espírito de síntese (sobretudo na rádio e televisão), perspicácia, capacidade de observação e interpretação da realidade, curiosidade natural e uma atenção permanente a TODO o mundo que nos rodeia. Ou seja, por exemplo, um jornalista que faça sobretudo informação desportiva não pode nem deve ler apenas as “gordas” dos jornais generalistas.
*Obrigada mais uma vez pela disponibilidade que sempre demonstra.